Comprou um elétrico, chegou a casa e surgiu a dúvida: é possível carregar o carro elétrico em casa sem wallbox? 🔌🚗
Sim, é possível. Um veículo elétrico pode ser carregado através de uma tomada doméstica adequada, utilizando um cabo de carregamento compatível. A própria E-REDES identifica a tomada Schuko convencional como uma das possibilidades de carregamento doméstico.
Mas há um “sim, mas…” importante.
Uma tomada que utiliza ocasionalmente para um aspirador ou outro pequeno eletrodoméstico não enfrenta necessariamente as mesmas exigências de uma tomada que vai fornecer uma corrente elevada durante várias horas seguidas. É por isso que o carregamento frequente numa tomada convencional não deve ser feito sem primeiro garantir que a instalação elétrica está preparada.
Então, precisa obrigatoriamente de comprar uma wallbox? Não. Mas também não deve ligar o carro à primeira tomada da garagem e assumir que está tudo tratado. 😉
Vamos perceber as diferenças.
Como carregar um carro elétrico em casa sem wallbox?
A forma mais simples é utilizar uma tomada doméstica e um cabo portátil de carregamento compatível com o automóvel.
Alguns veículos disponibilizam este tipo de cabo, muitas vezes conhecido como carregador portátil ou de utilização ocasional. Entre a ficha ligada à tomada e a ligação ao automóvel existe normalmente uma unidade de controlo responsável por gerir e monitorizar o carregamento.
É uma solução muito simples:
- Estaciona o automóvel;
- Liga o equipamento diretamente a uma tomada adequada;
- Liga a outra extremidade ao carro;
- O carregamento começa de acordo com as condições definidas pelo veículo e pelo equipamento.
Parece tão simples como carregar o telemóvel. A grande diferença está na quantidade de energia e no tempo durante o qual a instalação vai estar sob carga. 🔌
Por isso, antes de utilizar regularmente uma tomada existente, é aconselhável pedir a um profissional qualificado que confirme as condições da instalação.
Se quiser perceber melhor as diferentes ligações disponíveis, consulte também o nosso guia sobre tomadas para carregar carros elétricos.
Posso carregar o carro em qualquer tomada normal?
Não deve assumir que qualquer tomada serve.
Uma tomada pode parecer estar em perfeito estado por fora e existir um problema nos cabos, ligações ou proteções da instalação.
O Guia do Autoconsumo em Condomínios com Mobilidade Elétrica da ADENE alerta precisamente que, embora seja possível carregar diretamente numa tomada convencional, esta solução não é aconselhada para utilização sistemática, porque estas tomadas podem não estar preparadas para longos períodos de carga com correntes elevadas.
Antes de carregar regularmente, importa verificar, entre outros aspetos:
- O estado da tomada;
- A secção e o estado da cablagem;
- As proteções existentes no quadro;
- A ligação à terra;
- A capacidade do circuito;
- Os restantes equipamentos ligados ao mesmo circuito;
- A potência disponível na instalação.
Se a sua garagem tem uma tomada instalada há 30 anos e não sabe sequer a que circuito está ligada, talvez seja uma boa altura para descobrir. 😅
Quanto tempo demora a carregar um carro elétrico numa tomada normal?
Esta é uma das principais limitações.
Uma tomada convencional trabalha normalmente com uma potência bastante inferior à de uma wallbox. O Guia do Autoconsumo refere uma corrente média de 10 A e uma potência típica inferior a 3 kW numa tomada de 230 V.
Tomando como referência 2,3 kW, a ERSE apresenta este exemplo:
| Autonomia a recuperar | Tomada a 2,3 kW | Wallbox a 7,4 kW |
|---|---|---|
| 40 km | 2h37 | 49 min |
| 100 km | 6h31 | 2h02 |
| 200 km | 12h03 | 4h04 |
Os cálculos da ERSE assumem, para simplificar, um consumo de 15 kWh/100 km e uma potência de carregamento constante. Na utilização real, os valores variam de acordo com o automóvel, condições da bateria e perdas durante o carregamento.
A diferença é significativa.
Mas há aqui um ponto que muitas comparações entre tomada e wallbox esquecem: não precisa de carregar a bateria dos 0% aos 100% todos os dias.
Faz 30 ou 50 km por dia? Uma tomada pode chegar
Imagine que o seu carro elétrico consome 16 kWh/100 km.
Se fizer 30 km por dia, utiliza aproximadamente 4,8 kWh de energia.
Numa tomada que permita carregar a cerca de 2,3 kW, seriam teoricamente pouco mais de duas horas para repor essa energia.
Se fizer 50 km, terá consumido cerca de 8 kWh. A reposição teórica demoraria aproximadamente três horas e meia.
Para alguém que chega a casa às 19h00 e só volta a utilizar o automóvel às 8h00 da manhã seguinte, o tempo disponível pode ser mais do que suficiente.
Neste perfil, a velocidade pode não ser um problema.
Claro que continua a ser essencial garantir que a tomada e a instalação estão preparadas para este tipo de utilização.
E se fizer 100 ou 200 km por dia?
Aqui a situação começa a mudar.
Considerando novamente um consumo de 16 kWh/100 km:
- 100 km por dia representam cerca de 16 kWh a repor. A 2,3 kW, seriam teoricamente cerca de sete horas;
- 200 km por dia representam cerca de 32 kWh. Já seriam necessárias perto de 14 horas.
Neste segundo caso, é fácil de perceber o problema: pode chegar a casa ao final da tarde e não existir tempo suficiente para recuperar toda a energia utilizada antes de voltar a sair.
É aqui que uma wallbox com maior potência começa a trazer uma vantagem prática bastante evidente.
O importante, portanto, não é perguntar apenas “qual é o tamanho da bateria?”, mas também:
- Quantos kWh preciso normalmente de voltar a colocar na bateria todas as noites?
Explicamos esta relação com mais detalhe no nosso artigo sobre qual a potência necessária para carregar carros elétricos.
É seguro carregar um carro elétrico numa tomada doméstica?
Pode ser feito em condições adequadas, mas uma tomada convencional não oferece as mesmas características de uma solução especificamente concebida para o carregamento regular de um veículo elétrico.
O principal problema é a duração.
Um forno pode consumir bastante energia, mas não costuma funcionar dez ou quinze horas consecutivas. Um veículo pode permanecer ligado durante toda a noite.
Uma instalação inadequada pode provocar aquecimento excessivo das ligações ou dos condutores. A Associação de Utilizadores de Veículos Elétricos alerta precisamente para o risco de aquecimento e, em situações extremas, curto-circuito quando são utilizadas tomadas cuja segurança se desconhece ou extensões inadequadas.
Por isso, esteja atento a sinais como:
- Tomada ou ficha excessivamente quente;
- Cheiro a queimado;
- Marcas escuras ou sinais de derretimento;
- Ficha que não fica bem presa;
- Disjuntor que dispara repetidamente;
- Ruídos ou estalidos;
- Interrupções frequentes do carregamento.
Se identificar algum destes sinais, interrompa a utilização e peça uma avaliação a um profissional qualificado.
Há 6 coisas que não deve fazer
Se vai carregar um carro elétrico em casa sem wallbox, alguns atalhos são mesmo para evitar. ⚠️
1. Não utilize uma tomada cujo estado desconhece
Sobretudo numa instalação antiga, peça uma avaliação antes de começar a fazer carregamentos prolongados.
2. Não utilize tomadas danificadas ou com folgas
Uma má ligação pode provocar aquecimento.
3. Evite extensões
A utilização de extensões acrescenta ligações e possíveis pontos de aquecimento.
4. Não utilize triplas ou fichas múltiplas
O carregador deve estar ligado a uma instalação preparada para suportar a carga.
5. Não improvise cabos através de janelas, passeios ou áreas comuns.
Em condomínios, o guia da ADENE alerta que passar cabos por fachadas ou áreas comuns e ocupar a via pública desta forma representa um risco e pode ser ilegal.
6. Não altere a instalação por conta própria
Se for necessário criar um circuito dedicado, instalar outra tomada ou alterar proteções, recorra a um profissional qualificado. A DGEG disponibiliza um guia técnico específico para a conceção e execução de instalações destinadas à alimentação de veículos elétricos.
Uma tomada reforçada é uma alternativa à wallbox?
Pode ser uma opção intermédia.
Se não pretende instalar uma wallbox, mas quer carregar regularmente em casa, pode pedir a um profissional que avalie a possibilidade de criar uma tomada e um circuito especificamente preparados para o carregamento do automóvel.
Continua a não ter todas as funcionalidades de uma wallbox e a potência pode ser inferior, mas é bastante diferente de simplesmente utilizar uma tomada doméstica antiga que já existia na garagem.
A solução adequada depende sempre das características da casa, da instalação e do automóvel.
Preciso de aumentar a potência contratada para carregar sem wallbox?
Não necessariamente.
Aliás, uma das características do carregamento através de uma tomada convencional é precisamente utilizar uma potência relativamente baixa.
Isso não significa que a potência contratada deixe de ter importância.
Imagine que o automóvel está a carregar a cerca de 2,3 kW e, ao mesmo tempo, liga:
- O forno;
- A placa de indução;
- O termoacumulador;
- A máquina da roupa;
- O ar condicionado.
A soma pode ultrapassar a potência disponível na habitação.
Por isso, antes de aumentar o escalão, perceba quanto costuma consumir simultaneamente e tente aproveitar períodos em que os restantes consumos são menores.
No artigo sobre potência para carregar um carro elétrico explicamos como cruzar a potência contratada, a potência do carregador e a capacidade do próprio veículo.
Tomada ou wallbox: quais são as principais diferenças?
Se continua indeciso, esta comparação ajuda:
| Tomada convencional adequada | Wallbox | |
|---|---|---|
| Investimento inicial | Mais baixo | Superior |
| Potência típica | Inferior a 3 kW | Habitualmente 3,7 a 22 kW |
| Velocidade | Lenta | Mais rápida |
| Indicada para carregamento diário intensivo | Menos adequada | Sim |
| Programação | Depende do carro/cabo | Frequentemente disponível |
| Gestão dinâmica de potência | Normalmente não | Disponível em determinados modelos |
| Monitorização de consumos | Limitada | Frequentemente disponível |
| Melhor para poucos km/dia | Pode ser suficiente | Sim |
| Melhor para muitos km/dia | Pode tornar-se impraticável | Geralmente sim |
Quando pode fazer sentido carregar sem wallbox?
Uma tomada adequada pode ser suficiente quando:
- Percorre poucos quilómetros diariamente;
- Tem muitas horas disponíveis para carregar;
- Utiliza o carregamento doméstico apenas ocasionalmente;
- Tem um híbrido plug-in com uma bateria relativamente pequena;
- Utiliza frequentemente postos públicos e precisa apenas de pequenas reposições em casa;
- Ainda está numa solução temporária antes de instalar um carregador dedicado.
Imagine que faz 25 km por dia e o carro permanece estacionado em casa 12 horas durante a noite.
Nesse contexto, pagar mais apenas para passar de algumas horas de carregamento para menos de uma hora pode não ser uma prioridade.
Desde que a instalação seja segura, a velocidade da tomada pode satisfazer perfeitamente as suas necessidades.
Quando é melhor instalar uma wallbox?
A wallbox começa a tornar-se especialmente interessante quando o carregamento deixa de ser ocasional e passa a fazer parte da rotina diária.
Pode fazer sentido se:
- Percorre muitos quilómetros todos os dias;
- Precisa frequentemente de recuperar 20, 30 ou mais kWh numa noite;
- Tem mais do que um veículo elétrico;
- Precisa de maior controlo sobre os consumos;
- Quer gerir automaticamente a potência disponível;
- Pretende programar os carregamentos;
- Quer tirar maior partido de diferentes períodos tarifários;
- Tem painéis solares e pretende carregar o carro com energia solar.
Algumas wallboxes conseguem ajustar a potência de carregamento de acordo com aquilo que a casa está a consumir em cada momento. Se ligar o forno, por exemplo, podem reduzir temporariamente a energia destinada ao automóvel e aumentá-la novamente quando existir mais potência disponível.
Se decidir avançar, veja também como instalar um carregador de veículo elétrico em casa.
E se morar num condomínio?
Aqui é necessária atenção adicional.
Se tem uma garagem individualizada com ligação elétrica à sua própria fração, a situação tende a ser mais simples. No caso da instalação de um ponto de carregamento, o guia da ADENE indica que deve ser realizada por técnico certificado e respeitar as regras técnicas da DGEG.
Se, pelo contrário, o estacionamento se encontra numa área comum ou a ligação tem de passar por espaços comuns, existem procedimentos adicionais. O mesmo guia prevê comunicação à administração do condomínio quando a instalação envolve estas zonas.
E há uma regra bastante simples: não ligue simplesmente o automóvel a uma tomada dos serviços comuns sem garantir que pode utilizá-la e sem existir uma forma adequada de contabilizar esse consumo.
Quando existem vários veículos elétricos no prédio, uma solução organizada de carregamento pode também evitar que vários automóveis solicitem demasiada potência ao edifício ao mesmo tempo.
Quanto custa carregar sem wallbox?
A ausência de wallbox não altera, por si só, o preço do kWh contratado com o seu comercializador.
Ou seja, se colocar 15 kWh na bateria, o custo da energia resulta essencialmente:
15 kWh × preço da eletricidade no período em que carrega
Ao valor devem naturalmente ser considerados os restantes componentes aplicáveis da fatura e as perdas do processo de carregamento.
É aqui que o horário pode ser mais importante do que a potência.
Se tem uma tarifa bi-horária e consegue carregar durante o período de vazio, pode aproveitar as horas em que a energia é mais barata. Por exemplo, pode programar o próprio automóvel para só iniciar o carregamento depois de começar o vazio, mesmo que esteja ligado à tomada desde que chegou a casa. 🌙⚡
Se quiser fazer as contas com mais detalhe, veja quanto custa carregar um automóvel elétrico.
Carregar devagar prejudica a bateria?
Não existe um problema inerente ao facto de carregar a uma potência baixa.
Pelo contrário, os carregamentos domésticos em corrente alternada são uma utilização perfeitamente normal de um veículo elétrico. O que deve distinguir é a velocidade do carregamento da segurança da instalação utilizada para o fazer.
Uma tomada inadequada não passa a ser uma boa solução apenas porque carrega lentamente.
Da mesma forma, uma wallbox não precisa de estar sempre configurada para entregar a potência máxima possível.
Siga as recomendações do fabricante do seu veículo relativamente aos limites de carga e utilização da bateria.
Como carregar em casa sem wallbox de forma mais segura?
Se esta é a solução que melhor se adapta à sua utilização, fique com esta checklist:
| Antes de carregar | Confirme |
|---|---|
| Instalação | Foi avaliada e está adequada a carregamentos prolongados |
| Tomada | Está em bom estado e sem folgas ou danos |
| Cabo | É adequado e compatível com o veículo |
| Ligação | É feita diretamente, sem triplas ou improvisações |
| Extensões | Não utilize |
| Potência | Não ultrapassa a capacidade disponível da casa |
| Temperatura | Ficha e tomada não apresentam aquecimento anormal |
| Horário | Sempre que possível, aproveita períodos tarifários mais económicos |
| Fabricante | São cumpridas as instruções do veículo e do equipamento |
Se tem dúvidas sobre qualquer um destes pontos, peça primeiro a avaliação de um eletricista qualificado.
Sai bastante mais barato do que descobrir da pior maneira que aquela tomada da garagem não estava preparada para sessões de oito horas. 🫣
Carregue o seu elétrico nas horas mais económicas com a Goldenergy
Com ou sem wallbox, o momento em que coloca o automóvel a carregar pode fazer diferença na fatura.
Com o tarifário Carregar em Casa da Goldenergy, pode aproveitar um preço mais baixo da eletricidade durante o período de vazio e programar o veículo para carregar nas horas mais económicas.
E quando a autonomia o leva para longe de casa, pode recorrer ao Cartão Mobilidade Elétrica Goldenergy para carregar nos postos da rede pública disponíveis em Portugal Continental.
Porque conduzir um elétrico também é saber escolher onde, quando e como carregar. 🚗⚡💚
Perguntas frequentes sobre carregar um carro elétrico em casa sem wallbox
Sim. Um veículo elétrico pode ser carregado numa tomada doméstica através de equipamento compatível. No entanto, o carregamento sistemático numa tomada convencional não é recomendado sem garantir previamente que a instalação está preparada para suportar cargas prolongadas.
Não. A wallbox não é indispensável para conseguir carregar o automóvel em casa. Pode, porém, oferecer maior potência, segurança, controlo e funcionalidades de gestão, tornando-se especialmente interessante para carregamentos frequentes.
Depende da quantidade de energia que precisa de repor. Como referência, a ERSE estima cerca de 2h37 para recuperar 40 km de autonomia e 6h31 para 100 km com uma potência de 2,3 kW, assumindo um consumo de 15 kWh/100 km e carga constante.
Pode deixar o veículo a carregar durante várias horas desde que utilize equipamento adequado, siga as indicações do fabricante e a instalação elétrica esteja preparada. Uma tomada convencional cujo estado desconhece não deve ser assumida como adequada apenas porque o carregamento acontece à noite.
Não. A utilização de extensões inadequadas pode contribuir para aquecimento dos cabos e tomadas e, em situações extremas, para curto-circuitos.
A wallbox não altera diretamente o preço do kWh do seu contrato de eletricidade. O custo depende sobretudo da quantidade de energia carregada, do tarifário e do horário. Uma wallbox pode, contudo, facilitar a programação e gestão dos carregamentos.
Não necessariamente. O carregamento de baixa potência pode ser compatível com o escalão atual, dependendo dos restantes equipamentos que utiliza simultaneamente. Antes de aumentar a potência contratada, analise os consumos da casa e a potência efetivamente necessária.
Também não. Como os híbridos plug-in têm geralmente baterias menores do que os veículos 100% elétricos, um carregamento de baixa potência pode ser suficiente para alguns utilizadores. A decisão deve ser feita com base na capacidade da bateria, energia utilizada diariamente e tempo disponível para carregar.
Pode ser uma alternativa para alguns perfis, desde que a instalação seja concebida e verificada por um profissional qualificado. No entanto, não oferece necessariamente a potência, gestão dinâmica, monitorização e restantes funcionalidades disponíveis numa wallbox.
Só deve fazê-lo quando a tomada pertence à sua instalação ou existe uma solução devidamente autorizada e preparada para contabilizar o consumo. Se for necessário intervir nas áreas ou serviços comuns, existem regras específicas para a instalação de soluções de carregamento em condomínios.