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Biometano: o que é, vantagens e desafios deste gás renovável

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O biometano está a ganhar cada vez mais destaque na transição para fontes de energia renováveis. Produzido a partir de resíduos orgânicos, este gás pode ajudar a reduzir o consumo de combustíveis fósseis, valorizar recursos que seriam desperdiçados e reforçar a independência energética.

Mas como é produzido? Qual é a diferença entre biogás e biometano? E quais são as vantagens e os desafios associados à sua utilização?

Neste artigo, explicamos tudo de forma simples e mostramos como a Goldenergy já está a dar passos concretos nesta área. Vamos a isso? 😃

O que é o biometano?

O biometano é um gás renovável obtido, geralmente, através da purificação do biogás. Tudo começa com a decomposição de matéria orgânica, como:

  • Resíduos agrícolas e agropecuários;
  • Estrume;
  • Restos alimentares;
  • Lamas de estações de tratamento de águas residuais;
  • Resíduos sólidos urbanos;
  • Subprodutos de algumas indústrias.

Esta decomposição acontece num ambiente sem oxigénio, através de um processo chamado digestão anaeróbia. Durante o processo, os microrganismos transformam a matéria orgânica e produzem biogás.

O biogás é composto principalmente por metano e dióxido de carbono, além de pequenas quantidades de outros gases. Depois de ser purificado, removendo o dióxido de carbono, a água e outras impurezas, transforma-se em biometano.

O resultado é um gás com características muito semelhantes às do gás natural de origem fóssil. Desde que cumpra os requisitos técnicos e de qualidade aplicáveis, pode ser injetado na rede de gás e utilizado na indústria, nos transportes ou na produção de calor.

Qual é a diferença entre biogás e biometano?

Embora estejam relacionados, o biogás e o biometano não são exatamente a mesma coisa.

O biogás é o gás produzido diretamente durante a decomposição da matéria orgânica. Como contém dióxido de carbono, humidade e outras substâncias, nem sempre pode ser utilizado diretamente nas mesmas aplicações do gás natural.

Já o biometano resulta da purificação do biogás. Depois desse tratamento, fica com uma elevada concentração de metano e com propriedades próximas das do gás natural. De forma simples:

Matéria orgânica → biogás → purificação → biometano

É esta etapa de purificação que permite alargar as utilizações do gás e facilitar a sua integração nas infraestruturas existentes.

Como é produzido o biometano?

A produção de biometano pode ser dividida em três etapas principais.

1. Recolha e preparação da matéria orgânica

    Primeiro, são recolhidos os resíduos que vão alimentar a unidade de produção.

    Dependendo da sua origem, estes materiais podem precisar de ser separados, triturados, misturados ou tratados antes de entrarem no digestor. É importante garantir que não contêm elementos que possam prejudicar o processo ou danificar os equipamentos.

    2. Digestão anaeróbia

      A matéria orgânica é colocada num reservatório fechado onde não existe oxigénio.

      Nesse ambiente controlado, os microrganismos decompõem os resíduos e produzem biogás. O processo gera também um material chamado digerido, que, quando devidamente tratado e gerido, pode ser valorizado como fertilizante agrícola.

      3. Purificação do biogás

        O biogás ainda contém dióxido de carbono, água e outros componentes que precisam de ser removidos.

        Para o transformar em biometano, podem ser utilizadas técnicas como:

        • Lavagem com água;
        • Separação por membranas;
        • Adsorção por variação de pressão;
        • Processos químicos;
        • Processos criogénicos.

        Depois de purificado e de cumprir os requisitos de qualidade, o biometano pode ser comprimido, armazenado, transportado ou injetado na rede de gás.

        Quais são as vantagens do biometano?

        O biometano pode trazer benefícios ambientais, económicos e sociais. Conheça algumas das principais vantagens deste gás renovável.

        Ajuda a reduzir a utilização de combustíveis fósseis

        Como tem propriedades semelhantes às do gás natural, o biometano pode substituir parte do gás de origem fóssil utilizado na indústria, nos edifícios e nos transportes.

        Esta substituição pode contribuir para reduzir as emissões associadas ao consumo de energia, sobretudo quando o biometano é produzido a partir de resíduos e todo o processo é gerido de forma eficiente.

        Valoriza resíduos orgânicos

        Uma das grandes vantagens do biometano é a possibilidade de transformar resíduos em energia.

        Estrume, restos alimentares, lamas de tratamento de águas residuais e outros materiais orgânicos deixam de ser vistos apenas como desperdício e passam a ter uma nova utilidade.

        Desta forma, o biometano contribui para a economia circular: os resíduos de uma atividade podem tornar-se recursos para produzir energia. ♻️

        Pode evitar emissões associadas à decomposição dos resíduos

        Quando certos resíduos, como estrume ou matéria orgânica, se decompõem sem qualquer aproveitamento ou controlo, podem libertar metano para a atmosfera.

        A sua utilização em digestores permite captar parte desse gás e transformá-lo em energia. No entanto, é essencial controlar possíveis fugas durante a produção, purificação e armazenamento.

        Aproveita parte das infraestruturas existentes

        Depois de purificado e certificado, o biometano pode ser integrado na rede de gás existente.

        Esta compatibilidade é especialmente relevante para empresas que precisam de temperaturas elevadas nos seus processos e que ainda não conseguem substituir facilmente o gás pela eletricidade.

        Em determinadas situações, o biometano permite reduzir a utilização de gás fóssil sem obrigar à substituição imediata de todos os equipamentos.

        Pode apoiar a descarbonização da indústria

        Setores como a cerâmica, o vidro, a indústria alimentar e outras atividades com elevado consumo térmico enfrentam desafios específicos na transição energética.

        O biometano pode ser uma das soluções utilizadas para reduzir a pegada de carbono destes processos, complementando medidas como a eficiência energética, a eletrificação e o autoconsumo renovável.

        Promove o desenvolvimento local

        A produção de biometano pode acontecer perto dos locais onde são gerados os resíduos, nomeadamente em regiões agrícolas e rurais. 🚜

        Além de facilitar a valorização de recursos locais, estes projetos podem estimular novos investimentos, criar emprego especializado e gerar rendimento para explorações agrícolas e outras entidades envolvidas.

        Reforça a independência energética

        Ao produzir gás renovável a partir de recursos disponíveis em Portugal, o país pode reduzir parte da sua dependência da importação de combustíveis fósseis.

        O biometano também tem a vantagem de poder ser armazenado e utilizado quando é necessário, ajudando a diversificar as fontes de energia.

        Quais são os principais desafios do biometano?

        Apesar do seu potencial, o biometano ainda enfrenta vários desafios. Ultrapassá-los será essencial para aumentar a produção e tornar esta solução mais acessível.

        Custos de produção e purificação

        Construir uma unidade de biometano exige um investimento significativo. 💰

        Para além dos digestores, são necessários sistemas de preparação dos resíduos, equipamentos de purificação, mecanismos de controlo, ligações à rede e soluções para armazenar ou transportar o gás.

        Os custos de operação também podem ser elevados devido ao tratamento das matérias-primas, à energia consumida pelos equipamentos e à manutenção das instalações.

        Produção ainda limitada

        A quantidade de biometano atualmente disponível continua a ser muito inferior à de gás natural de origem fóssil.

        Para aumentar a produção, é necessário desenvolver novas unidades, garantir o fornecimento regular de resíduos orgânicos e criar condições para a ligação das instalações à rede.

        De acordo com a DGEG, em Portugal foram apoiados 16 projetos de produção de biometano entre 2020 e 2024, com uma produção total estimada de 846 GWh por ano. A concretização destes e de outros projetos vai ser importante para desenvolver o mercado nacional.

        Recolha e transporte dos resíduos

        Os resíduos utilizados para produzir biometano podem estar dispersos por diferentes explorações agrícolas, unidades industriais ou municípios.

        Transportá-los por longas distâncias aumenta os custos e pode gerar emissões adicionais. Por isso, é importante instalar as unidades de produção em locais estratégicos e organizar cadeias de recolha eficientes.

        Controlo das fugas de metano

        Apesar de ter origem renovável, o biometano é constituído essencialmente por metano, um gás com um efeito significativo no aquecimento global quando é libertado diretamente para a atmosfera.

        As unidades de produção devem, por isso, dispor de sistemas de monitorização, deteção e reparação de fugas. O armazenamento do digerido e o tratamento dos gases libertados durante a purificação também precisam de ser cuidadosamente controlados.

        Gestão do digerido

        A digestão anaeróbia produz um material chamado digerido. Este subproduto pode ser aproveitado na agricultura, mas a sua utilização deve respeitar critérios de qualidade e regras ambientais.

        Uma gestão inadequada pode causar odores, contaminação da água ou libertação de emissões.

        Disponibilidade sustentável das matérias-primas

        Nem toda a matéria orgânica deve ser automaticamente encaminhada para a produção de energia.

        Alguns materiais podem ter outras utilizações, como a compostagem, a fertilização agrícola ou a alimentação animal. A escolha deve considerar o impacto ambiental, a disponibilidade local e o valor de cada alternativa.

        Também é importante privilegiar resíduos e subprodutos, evitando criar uma concorrência desnecessária com a produção de alimentos.

        Licenciamento e ligação à rede

        Os projetos de biometano envolvem diferentes processos administrativos, ambientais e energéticos.

        Em janeiro de 2026, a Direção-Geral de Energia e Geologia e a Agência Portuguesa do Ambiente publicaram um despacho conjunto dedicado ao licenciamento das unidades de produção de biometano. Em maio do mesmo ano, foi também determinada a preparação de uma proposta de modelo de remuneração e incentivo à produção deste gás renovável.

        A criação de procedimentos mais claros pode ajudar a acelerar novos investimentos, sem comprometer a segurança e a proteção ambiental.

        O que significa o biometano para os consumidores?

        Neste momento, a utilização de biometano em Portugal está sobretudo direcionada para clientes industriais e empresariais.

        Para o consumidor final, existem alguns pontos importantes a conhecer.

        O gás que chega pela rede é fisicamente misturado

        Quando o biometano é injetado na rede, mistura-se com o restante gás que circula nas infraestruturas.

        Assim, não é possível separar fisicamente as moléculas de gás renovável que chegam a cada instalação. É através das Garantias de Origem que se comprova que uma quantidade equivalente de energia renovável foi produzida e atribuída a determinado consumo.

        A legislação europeia prevê que os fornecedores demonstrem aos consumidores a quantidade ou a percentagem de energia renovável associada ao gás fornecido através das redes.

        Pode não exigir novos equipamentos

        Como o biometano tem características semelhantes às do gás natural, a sua utilização através da rede pode não exigir alterações nos equipamentos existentes.

        No entanto, esta compatibilidade depende sempre da qualidade do gás, dos requisitos técnicos da rede e das condições específicas de cada instalação.

        A disponibilidade ainda é reduzida

        A maior parte do gás comercializado em Portugal continua a ser de origem fóssil.

        Na Goldenergy, por exemplo, o biometano representa ainda uma pequena parte do gás comercializado e está atualmente direcionado para clientes industriais. 🏭

        Como está a Goldenergy a apostar no biometano?

        Na Goldenergy, acreditamos que a transição energética precisa de soluções diversificadas. Por isso, a nossa aposta no biometano já passou das palavras à ação. 💚

        Importação de biometano para Portugal

        Em 2025, a Goldenergy realizou a sua primeira operação de importação de biometano, introduzindo gás renovável na rede nacional.

        A operação abrangeu 1,8 milhões de kWh por ano de biometano produzido em Espanha, numa unidade de tratamento de resíduos sólidos urbanos e agropecuários gerida pelo Grupo Axpo.

        Numa primeira fase, o biometano foi direcionado para clientes industriais do setor da cerâmica.

        Primeira Garantia de Origem de biometano

        A Goldenergy tornou-se também a primeira comercializadora nacional a fornecer biometano através da rede de transporte de gás com uma Garantia de Origem emitida pelo sistema português.

        A primeira Garantia de Origem foi atribuída ao fornecimento da Primus Vitória, empresa do setor da cerâmica e cristalaria.

        Esta certificação, emitida através da Entidade Emissora de Garantias de Origem, comprova a origem renovável da quantidade de energia associada ao consumo.

        Fornecimento ao Grupo Vila Galé

        A aposta no biometano chegou também ao setor hoteleiro.

        Em 2025, a Goldenergy começou a fornecer biometano ao Grupo Vila Galé. O acordo contemplou, numa primeira fase, um fornecimento anual de 150 mil kWh aos hotéis do grupo em Portugal.

        Parceria com a Recer e a Aleluia Ceramics

        Ainda em 2025, a Goldenergy assinou um acordo com a Recer e a Aleluia Ceramics para o fornecimento de biometano certificado.

        O contrato começou por prever a aquisição de 500 mil kWh até ao final de 2025, integrado num acordo mais amplo que aponta para um consumo total de 12 milhões de kWh nos anos seguintes.

        Biometano na indústria alimentar

        Em 2026, a Goldenergy alargou a sua aposta à indústria alimentar através de uma parceria com a Panike, empresa especializada em produtos de padaria e pastelaria ultracongelados.

        O fornecimento foi reforçado em junho de 2026, passando o biometano a representar cerca de 2% do consumo total de gás da empresa.

        Projeto de produção de biometano em Vila do Conde

        A Goldenergy está também envolvida, em conjunto com a Axpo Iberia e a exploração agrícola Teixeira do Batel, num projeto de produção nacional de biometano em Vila do Conde.

        O projeto pretende aproveitar resíduos agropecuários para produzir mais de 15 GWh de biometano por ano. O investimento previsto ronda os oito milhões de euros e a Goldenergy comprometeu-se a adquirir a totalidade da produção prevista na primeira fase.

        Esta iniciativa representa um exemplo concreto de economia circular: resíduos gerados numa exploração agrícola podem ser transformados em gás renovável e utilizados para reduzir o consumo de gás fóssil.

        Qual é o futuro do biometano em Portugal?

        Portugal tem condições favoráveis para desenvolver a produção de biometano.

        O país dispõe de resíduos provenientes da agricultura, da pecuária, das estações de tratamento de águas residuais, da indústria alimentar e dos sistemas de tratamento de resíduos urbanos.

        Além de ajudar a valorizar estes recursos, a produção nacional de biometano pode contribuir para:

        • Reduzir a dependência energética;
        • Diversificar as fontes de gás;
        • Apoiar a descarbonização da indústria;
        • Criar emprego e investimento nas zonas rurais;
        • Desenvolver novas cadeias de economia circular.

        O Plano Nacional de Energia e Clima 2030 é o principal instrumento da política energética e climática portuguesa para esta década. A versão atualizada estabelece, entre outras metas, uma quota de 51% de fontes renováveis no consumo final bruto de energia até 2030.

        Ao nível europeu, o plano REPowerEU definiu o objetivo de atingir uma produção e utilização anual de 35 mil milhões de metros cúbicos de biometano sustentável até 2030. Em junho de 2026, a Comissão Europeia lançou também um mecanismo dedicado a aproximar produtores e compradores de biometano.

        Para concretizar este potencial, é necessário continuar a investir em unidades de produção, infraestruturas, certificação, formação técnica e processos de licenciamento mais simples.

        Perguntas frequentes sobre biometano

        Sim. O biometano é considerado um gás renovável quando é produzido a partir de matérias-primas de origem biológica e cumpre os critérios de sustentabilidade aplicáveis.

        A sua origem deve ser comprovada através dos mecanismos de certificação adequados.

        Não. O gás natural é um combustível fóssil extraído de reservas subterrâneas. O biometano é produzido a partir de matéria orgânica renovável.

        Apesar das diferentes origens, os dois gases podem apresentar características semelhantes depois de o biometano ser devidamente purificado.

        Tecnicamente, o biometano que cumpre os requisitos da rede pode ser utilizado nos mesmos equipamentos que consomem gás natural.

        Contudo, a disponibilidade comercial para clientes domésticos em Portugal ainda é muito limitada. Atualmente, a sua utilização está sobretudo concentrada em empresas e indústrias.

        Em princípio, a utilização de biometano através da rede não exige a substituição dos equipamentos, uma vez que o gás é tratado para apresentar características compatíveis.

        As condições concretas devem sempre ser verificadas de acordo com a instalação e com os requisitos técnicos aplicáveis.

        Biometano: transformar resíduos em novas oportunidades

        O biometano ajuda a responder a dois grandes desafios: a necessidade de reduzir o consumo de combustíveis fósseis e a urgência de encontrar melhores soluções para os resíduos orgânicos.

        Existem desafios importantes, desde os custos de investimento ao controlo das fugas de metano. Ainda assim, com tecnologia adequada, critérios de sustentabilidade e regras claras, o biometano pode ter um papel relevante na transição energética portuguesa.

        Na Goldenergy, continuamos a trabalhar para trazer soluções mais verdes ao mercado nacional. A importação de biometano, os contratos com empresas portuguesas e o projeto de produção em Vila do Conde mostram o caminho que já estamos a percorrer.

        Porque dar uma nova vida aos resíduos é também transformar desafios em oportunidades para um futuro mais sustentável. ⚡💚

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