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Tradições de Aveiro: descubra as mais pitorescas!

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Muitos chamam-lhe a Veneza de Portugal, mas Aveiro é única, com um charme especial. Uma cidade atravessada por uma inspiradora ria com as suas pontes e os seus belos barcos. Uma cidade plana onde pode passear a pé, de bicicleta, de carro ou barco para admirar toda a envolvência verdadeiramente encantadora.

Cheia de detalhes surpreendentes como as suas casas típicas com lindas listras de cores onde dá mesmo vontade de morar. Um lugar com uma forte e antiga ligação com a religião, o mar e o sal. E uma gastronomia de fazer suspirar.

Aveiro é verdadeiramente apaixonante, cheia de história espelhada nos seus costumes e tradições e que deixam qualquer turista simplesmente encantado. Descubra neste artigo quais são as tradições de Aveiro mais pitorescas.

Tradições de Aveiro: festas tradicionais

A religião tem em toda a história de Portugal uma forte presença e Aveiro não é exceção. É muito comum em todo o país existirem festas populares de homenagem aos seus padroeiros (um santo a quem é dedicada uma localidade) e Aveiro tem dois: Santa Joana e São Gonçalinho. São a eles que são dedicadas, anualmente, as duas maiores festas tradicionais de Aveiro.

Festa de Santa Joana

Joana, na verdade, era uma bonita princesa de olhos verdes, pele clara, alta e direita. Luís XI de França chegou mesmo a ajoelhar-se perante o seu retrato devido à sua beleza. Teve alguns pretendentes das cortes europeias mas todos eles morriam antes do casamento. Muitos consideraram um verdadeiro milagre divino porque a Santa Joana nunca quis casar.

Contra a vontade da sua família, a princesa escolheu o Convento de Aveiro para ficar. Começou a viver na cidade em 1452 no antigo Convento de Jesus da Ordem Dominicana feminina (atualmente Museu da Cidade).

Santa Joana era conhecida por ajudar muito todos os que passavam necessidades. Quando morreu as pessoas da cidade vestiram-se de luto, o povo sentiu que perdeu a sua “mãe”. No dia 12 de maio, o dia da sua morte, realiza-se anualmente a procissão e a missa solene em homenagem à Santa Padroeira da Cidade. A sua memória é lembrada no museu de Aveiro, que nesse dia tem tradicionalmente entrada livre para toda a população.

Neste dia é feriado municipal em Aveiro e as celebrações têm início logo pela manhã, com uma missa na Igreja de Jesus – Museu de Aveiro. As formas de celebração são muitas ao longo do dia: a cidade ouve o seu hino, hasteia a bandeira, recebe a habitual procissão, há orações a Santa Joana e muito mais.

Milhares de pessoas acompanham as festividades, num dia que é muito simbólico para os habitantes da cidade.

Festa de São Gonçalinho

São Gonçalinho é o protetor dos pescadores, mas não só! A ele recorrem para aliviar doenças ósseas, para resolver problemas no casamento, para problemas de infertilidade e ainda é casamenteiro das mulheres mais velhas.

A Festa de São Gonçalinho comemora-se a 10 de Janeiro e costuma durar 3 a 4 dias, incluindo sempre um fim de semana.

Mas preste atenção, pois para que São Gonçalinho atenda às suas preces, não basta só pedir! Há todo um ritual a seguir para pagar as suas promessas e vai precisar de doces conventuais da cidade, as tradicionais cavacas, bolachas típicas com cobertura de açúcar. O que precisa de fazer é subir à torre da igreja do santo e atirar as cavacas para a multidão lá em baixo.

Os pedidos a São Gonçalinho são tantos, que na praça junto à torre, no dia da celebração, chovem centenas de quilos de cavacas. A multidão que aguarda em baixo tem outro costume verdadeiramente pitoresco: competem entre si para ver quem consegue apanhar o maior número, recorrendo à ajuda de guarda chuvas virados ao contrário para que a apanha seja mais abundante. Portanto, se quiser participar nesta festa tradicional de Aveiro, compre 1 kg de Cavacas, e as de atirar, que são mais duras!

Mas nesta festa tradicional de Aveiro há mais tradições pitorescas a respeitar e a cumprir como a “Entrega do Ramo” e a “Dança dos Mancos”.

Na “Entrega do Ramo” os mordomos, indivíduos do sexo masculino, vestidos com um gabão longo castanho, passam o testemunho a outros para integrarem a comissão de festas do ano seguinte. Os mordomos cantam e dançam junto dos locais pelas ruas do bairro à beira mar, acompanhados de banda. O ramo é grande e feito de flores artificiais, conservado e bem guardado há muitos anos. Contam os mordomos, que antigamente para os mancos não era fácil acompanharem estas danças pelas ruas e que por isso estes ficavam no terreiro da Igreja a dançar animadamente. É por isso que surge a tradição da “Dança dos Mancos” mas onde na verdade todos dançam.

Vale a pena referir algumas estrofes de cânticos tradicionais populares na Capela que ajudam a pintar estas tradições de Aveiro para apreciar o momento de alegria, animação, religião, carinho, genuinidade e carisma do seu povo:

“S. Gonçalo arredai os bancos.
Eu quero dançar
Uma dança de mancos.
Quando os mancos Querem dançar
Que farão aqueles Que podem andar.
Ai sim ai sim Ai sim ai não.
Santo da minha alma.
Do meu coração.”

“Oh meu rico S. Gonçalinho
Casai-me que bem podeis
Eu já tinha teias de aranha
Naquilo que vós sabeis.
Ai sim ai sim Ai sim ai não.
Santo da minha alma.
Do meu coração.”

Festa da Ria

Uma das atividades económicas tradicionais de Aveiro é a apanha da vegetação da ria, o moliço, onde são utilizados os barcos típicos da região, os moliceiros. A ria é tão importante para este povo que lhe dedicam uma festa. A Festa da Ria é normalmente em Julho mas não tem dia certo. Trata-se de uma autêntica festa dos costumes e tradições de Aveiro.

Um dos pontos altos é a regata dos moliceiros, onde os locais desfilam com vaidade as típicas e lindas embarcações genuínas, construídas muitas vezes pelas gerações mais antigas. Mas as gerações mais novas continuam a dar vida e cor a estes acarinhados barcos.

Lindos barcos com pinturas cheias de cor a passearem pela ria que atravessa a cidade. A largada e a chegada são momentos sempre muito festejados. E é emocionante para o povo desta terra ver as velas içadas e lançadas ao vento, coisa que só acontece duas a três vezes por ano.

Durante a festa, em vários espaços da cidade acontecem ainda vários festivais culturais onde os habitantes de Aveiro mostram com orgulho o seu artesanato e os seus produtos e fazem exposições e espetáculos.

Feira de Março

Foi em 1434 que se realizou a primeira feira franca de Aveiro, que servia para realizar trocas entre os comerciantes de diferentes regiões. O frenesim em redor da feira era tal, que nesse dia não havia mais nenhum evento na zona.

Esta feira quinhentista é ainda hoje uma demonstração das raízes e história da região. Aqui encontramos as tradicionais bancas de alfaias agrícolas e artigos para o lar. É possível ainda ver artesanato, doçarias, louças e bijuterias.

Recebe atualmente todos os anos mais de 500 mil visitantes. Para além de ser uma montra importante dos costumes e tradições de Aveiro, continua a revelar a economia e o empreendedorismo atual da região. O evento faz uma boa junção entre negócios, lazer e diversão.

Tradições de Aveiro à mesa

Já vimos que Aveiro é bem marcado pela sua religião mas também a sua mesa é de bradar aos céus! Bendito seja o mar e a ria de Aveiro, pois fazem as delícias dos aveirenses e dos seus visitantes. É difícil escolher o melhor prato típico da região!

Com a rica fauna e flora da ria e com o mar, Aveiro é muito abundante em iguarias e tem séculos de história a confeccioná-los de forma a fazer crescer muita água na boca.

Especial destaque para o ex-libris da Região de Aveiro: a enguia. E para adoçar a boca não podemos deixar de falar nos típicos Ovos Moles e nas tradicionais Cavacas. E também uma tradição que se mantém bem viva nas praias da região, a arte Xávega, uma arte de pesca tradicional de cerco e arrasto.

Enguia

Foi sempre apreciada pelos populares das zonas ribeirinhas. A enguia da ria de Aveiro deu origem à tão conhecida “Caldeirada de Enguias à moda de Aveiro”. Mas também a enguia frita ou de escabeche deliciam os paladares mais exigentes.

Ovos moles

Se esbarrar com uma feirinha de doçarias vai com certeza ”perder a cabeça”. E os “Ovos moles” são o doce típico que toda a gente compra quando vai a Aveiro.

Um doce que apenas surgiu porque as freiras precisavam de aproveitar as gemas em excesso que sobraram no Convento. Nessa altura usavam-se muitas claras de ovos para tarefas domésticas, como engomar a roupa, por exemplo, e foi preciso criar algo com o que sobrava! Hoje, a produção de ovos moles movimenta mais de 5 milhões de euros anualmente e emprega centenas de pessoas.

E também nos ovos moles a ria e o mar estão presentes na forma tradicional de os moldar. Este é o doce com mais de 500 anos que até Eça de Queirós refere na sua obra literária Os Maias como um doce chique.

Cavacas

Também as Cavacas têm um lugar especial nas tradições de Aveiro. Fazem parte da rica variedade de doces conventuais e são usadas na animada Festa de São Gonçalinho. São um doce de gemas com cobertura de açúcar em calda, com forma redonda. Se comprar em Aveiro no dia de São Gonçalinho, com certeza a doceira lhe perguntará se quer as de comer ou as de atirar, por isso leve em conta que as de comer são fofas, já as de atirar são rijas e terá alguma dificuldade em trincar.

Arte Xávega

A Arte Xávega é uma tradição de Aveiro secular, que consiste numa verdadeira arte de apanhar o peixe. Parece ter surgido no final do século XIX, quando a região atingiu a maior força económica. Só na praia da Torreira chegaram a trabalhar 11 Associações de Pescadores. O Engenho consistia em lançar um saco longo com duas mangas, um era amarrado à embarcação e outro ficava em terra. Após a largada, a extremidade que ficava em terra era puxada por tração animal por juntas de bois. Os animais foram entretanto substituídos por tratores. No entanto, ainda hoje são muitos os curiosos que se aproximam para ver esta tradição.

O barco Xávega também é muito típico e tradicional desta região, trata-se de um barco em madeira de pinho, em forma de lua crescente e fundo chato. Esta tradição demonstra bem o profundo conhecimento e experiência que o povo de Aveiro tem pelo mar, pois esta é uma verdadeira manobra realizada também com o barco, conhecendo as correntes. Hoje apenas duas Associações da Torreira realizam esta tradição, pois querem a todo o custo preservar a sua identidade histórica.

Arquitetura com tradição e história

Os costumes e tradições de Aveiro estão muito presentes nas suas festas populares, na sua mesa, mas também na sua arquitetura. E por isso torna a sua cidade tão pitoresca. Basta passear um pouco pela cidade que facilmente encontramos pinturas lindíssimas em azulejo de cenas do quotidiano aveirense, dignas de verdadeiros quadros. E todas elas contam a sua história, os seus costumes e as suas tradições.

Destaque também para os Palheiros da Costa Nova, casas lindas, pintadas com riscas verticais ou horizontais e que diferem umas das outras pela sua cor. Outrora serviram de armazém para os pescadores mas depois foram remodeladas e transformaram-se em casas. Diz o povo que as casas foram pintadas de diferentes cores para que os pescadores conseguissem saber qual era a sua, quando chegavam tarde e já com uns copos a mais.

Aveiro tem isto e muito mais, por isso é uma das cidades mais inspiradoras e digna de ser pintada em verdadeiros quadros que nos fazem contemplar o belo e o sublime, despertando a nossa atenção e curiosidade por saber mais.

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